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rachelcorleone ([info]rachelcorleone) wrote,
@ 2009-04-22 14:22:00

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A Wonderful Thing [3/10]
Título: A Wonderful Thing
Autora: Jeninne
Ship: Pierre/David
Fandom: Simple Plan
POV: 1° pessoa
Censura: PG.
Disclaimer: Não é meu, não ganho nada, não aconteceu. (Y)

O Terceiro Mês:

“E foda-se você também!” David gritou, batendo a porta do banheiro e caindo sobre sua bunda no minúsculo cômodo. Ele escondeu seu rosto nos braços, recostando contra seus joelhos e sibilou. “Malditos hormônios.”

Do outro lado da porta, ele pôde ouvir a resposta de Pierre. “Você é uma vadia!”

David mordeu os lábios para manter sua boca fechada para evitar a sórdida resposta que passou rapidamente por sua mente. Em vez disso, ele respirou fundo e tentou acalmar seu tempestuoso estômago. Este estava ótimo, por incrível que pareça, enquanto ele e Pierre estiveram ocupados gritando um com o outro, mas agora que a atitude teatral estava terminada e eles tinham se separado, houve uma reviravolta em seu estômago que era mais perturbadora que o normal. Talvez tivesse algo a ver com ter se refugiado no banheiro. Seu corpo estava, agora, condicionado a vomitar impiedosamente quase todas as vezes que ele estava no banheiro, a quase resposta à seu tempestuoso mal-estar matinal. E, definitivamente, a sensação familiar estava crescendo e logo ele estava sobre seus joelhos em frente ao vaso sanitário, vomitando.

Deus, mais do que nunca ele estava certo de que não conseguiria agüentar o bebê. O mal-estar matutino todos os dias, o dia todo, estava levando-o à loucura. As dores de cabeça e vertigens estavam ameaçando afastá-lo de seus colegas de banda e a fatiga o fazia dormir mais horas por dia do que ele tinha certeza de não ter feito há muito tempo. As mudanças de humor eram frustrantes, o superaquecimento era realmente aborrecedor e recentemente ele tinha notado uma mancha descolorida em sua pele. Algumas frenéticas ligações para o hospital o asseguraram que isso era normal, mas ele não tinha certeza de que podia agüentar outros seis meses, mesmo que as enfermeiras no telefone o tivessem assegurado que seus sintomas iriam sumir com o tempo. As coisas estavam ficando piores e não melhores, e o bebê nem tinha nascido ainda.

Ainda pior, ele e Pierre estavam brigando mais do que nunca. Eles sempre brigaram – tinham o feito desde o começo do relacionamento, mas porque David era naturalmente galanteador e Pierre era facilmente ameaçado. E David era incrivelmente ciumento como namorado e Pierre não. A briga vinha naturalmente. Mas quando eles estavam juntos, eles eram tão malditamente bons, no melhor estilo almas gêmeas. Era por que isso que nenhum dos dois nunca foi capaz de terminar de uma vez ou ficar bravo um com o outro por muito tempo. Exceto por recentemente, porque ultimamente suas brigas estavam ficando piores e estava demorando mais para que se reconciliassem.

Talvez isso tivesse algo a ver com a crescente distância entre eles. David sabia que era mais sua culpa. Ele estava se afastando de Pierre, perseguido pelo segredo que crescia dentro dele e mesmo que Pierre não soubesse o que era, era perceptível o bastante para saber que algo estava errado. Eles estavam se aproximando do final, David podia sentir.

David tinha considerado revelar a verdade, talvez num último esforço de manter Pierre, ou talvez amarrá-lo a si. Pierre nunca poderia ir longe se eles tivessem um bebê e esse era um pensamento muitíssimo egoísta, mas ele cogitou isso por um tempo. E então ele decidiu contra. Pierre saberia que o bebê estava sendo usado de uma maneira manipulativa. Pior ainda, David saberia.

Uma batida na porta veio e, então, a voz de Sebastien. “David? Você está bem? Pierre já foi, se você quiser sair.”

David secou seus olhos. O que ele era, um patético adolescente chorando por causa de seu namorado? Bem... Sim para a parte do namorado, mas certamente não para o patético final.

“Valeu.” Ele murmurou, abrindo a porta. “Aonde ele foi?”

Seb se balançou sobre seus pés. “Chuck está lá fora com ele. Eles estão conversando.”

David lutou contra o instante de pânico. Ele sempre sentia isso agora, sempre que Chuck e Pierre estavam sozinhos. Chuck nunca iria, deliberadamente, dizer algo sobre o bebê, mas ele não podia ter certeza sobre uma menção acidental. A única coisa pior que Chuck contando para Pierre que o menor estava grávido, David imaginou, era Chuck dizer a Pierre que David esteve grávido e fez um aborto sem o conhecimento do maior, o que David sabia ser o que Chuck pensava que ele havia feito.

“O que...” Seb ousou perguntar. “O que foi dessa vez?” havia paciência infinita em sua voz.

“Foi... Porra, eu nem sequer lembro.” David correu uma mão por entre sua franja. “Algo sobre a gravadora.” A briga havia sido sobre como ele havia começando a pular os eventos da gravadora e se esconder no ônibus, enquanto seus amigos agüentavam o tranco de entrevistas, festas e amontoados de fãs. Ele não podia simplesmente dizer a Pierre que era porque ele mal conseguia manter seus olhos abertos às vezes. Ao invés disso, ele estava disposto a deixar Pierre pensar que ele estava relaxando.

“Você devia contar a ele.”

“O quê?” a cabeça de David se ergueu. Ele tinha pensado alto?

“O que quer que esteja te incomodando.”

David suspirou em alivio. “Você não iria... Você não conseguiria entender, Seb. Sem ofensas. Isso é algo…”

“Algo que está deixando todos nós loucos.” O guitarrista inseriu. “Dê uma olhada ao redor. Nós estamos começando a tomar lados. O resto de nós está começando a brigar quando você e Pierre o fazem.”

E isso não era justo, David sabia, mais do que manter o bebê em segredo de Pierre e mais do que se enganar sobre poder apenas ter o bebê em alguns meses e continuar com sua vida. E talvez, apenas talvez, contar a Pierre não seria tão ruim. Isso não seria manipulá-lo a ficar se ele apenas quisesse dar uma chance a tentar ser pai, embora com um monte de ajuda de Pierre. Talvez ele estivesse exagerando. Um bebê era não o completo fim do mundo. Pierre iria surtar, mas ele superaria isso. Um bebê não tinha que ser uma coisa horrível.

“Ele está lá fora?” David confirmou, sorrindo levemente quando Seb deu um tapinha em suas costas e fez um gesto na direção da porta do ônibus.

Estava frio na Alemanha no final do outono e David fechou um pouco mais o zíper da sua jaqueta, enquanto descia as escadas do ônibus. Apenas alguns passos à frente, ele podia ver Pierre e Chuck conversando animadamente, mas ele não conseguia ouvir o que eles estavam falando. Ele chegou mais perto.

“Hey.” Ele ofereceu quietamente para Pierre, os olhos evitando Chuck. Eles ainda estavam em terreno desconfortável. David achava que eles iriam ficar por um bom tempo. “Podemos conversar?”

A surpresa no rosto de Pierre na verdade machucou e David percebeu que, usualmente, Pierre que o procurava para pedir desculpas e David que o mantinha esperando, enquanto decidia se ia ou não perdoá-lo por qualquer transgressão que ele tivesse feito, não importava de quem fosse a culpa.

Chuck deu a eles um pequeno aceno e caminhou de volta para o ônibus, subindo depois de uma breve hesitação.

“Pierre.” David disse, lambendo os lábios secos. “Há algo que eu preciso te contar. É importante.”

Pierre balançou brevemente a cabeça. “Eu também.”

“Certo, você primeiro.” David se atreveu a se aproximar de Pierre, sua forma tremendo de frio. Ele tinha deixado Pierre começar para dar a si mesmo tempo o bastante para verbalizar delicadamente o conhecimento de que ele havia sido engravidado há três meses.

Pierre respirou fundo e, então, disse. “Eu acho que nos devíamos terminar. Para sempre, quero dizer, não como nós usualmente fazemos. Nós devíamos ver outras pessoas, pessoas que não estão na banda. David, nosso relacionamento está machucando a banda. Eu não posso deixar isso acontecer.”

O ar fugiu de seus pulmões e David congelou. “Terminar?” ele repetiu, pânico surgindo nele.

“Sim.” Pierre correu uma mão por entre seu cabelo. “Nós apenas... Não estamos dando certo, não importa o quanto queiramos isso. O que você ia dizer?”

“Eu... Eu...” David se inclinou para frente de repente, jogando seus braços ao redor do pescoço de Pierre, pela primeira vez em meses, verdadeiramente deixando de se preocupar se sua barriga pressionaria a de Pierre. “Eu também.” Ele sussurrou no ouvido de Pierre e essa foi a maior mentira de sua vida – maior que o bebê.


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