A Wonderful Thing [8/10] Título: A Wonderful Thing Autora: Jeninne Ship: Pierre/David Fandom: Simple Plan POV: 1° pessoa Censura: PG. Disclaimer: Não é meu, não ganho nada, não aconteceu. (Y)
O Oitavo Mês:
David virou a página da revista de música que ele estava folheando e tentou não parecer como se toda sua atenção estivesse virada para o homem deitado ao seu lado na cama, na sua barriga, falando com a massa redonda que era o filho por nascer deles. Pelo que Pierre sabia, David tendia a sair da realidade enquanto lia revistas, especialmente as sobre contrabaixos, e o menor estava aproveitando o raro e vulnerável momento com Pierre.
“Seu pai se recusa a me deixar saber se você é uma menina ou um menino.” Pierre disse num tom quieto, o rosto a apenas alguns centímetros da barriga de David. “Mas eu quero que você saiba, ele não está enganando ninguém. Eu sei o que você é. Eu tenho olhado a fatura do cartão de crédito dele.”
David virou outra página, um sorriso surgindo em seu rosto. Ele mudou levemente de lado, ignorando o rápido instante de dor e ousou a espiar sobre o topo de revista.
“Está tudo bem, entretanto.” Pierre continuou, o queixo apoiado em sua mão. “Seu pai pode continuar achando que é o único que sabe por quanto tempo ele quiser. Se isso o faz feliz, então é isso que nós vamos fazer, porque seu pai precisa estar tão feliz e confortável quanto possível, okay? Nós temos que ser extra cuidadosos agora, assim vocês dois estão bem.”
O peito de David se apertou um pouco com as palavras de Pierre e seu aperto aumentou ao redor da revista. Isso era, em sua opinião, nada mais que um milagre, o quão bem Pierre tinha aceitado sua paternidade. De fato, David ousava dizer que Pierre estava radiante sob sua própria animação, devotando quase todo o seu tempo para o bebê e, David pensou sombriamente, para o próprio David.
David engoliu em seco. Ele tinha chegado malditamente perto de perder o bebê. E não era nada especial, apenas muito estresse, pouco descanso e uma complicação típica que aconteceu. E agora ele estava de repouso... Repouso obrigatório, de volta para casa, em Montreal. E Pierre tinha vindo com ele.
David quis deixar as coisas tão claras quanto possível para Pierre, antes de eles voltarem para casa, efetivamente suspendendo a turnê. David não queria que Pierre viesse com ele ou se voluntariasse para tomar conta dele, enquanto ele ficava deitado e tentava não abortar, se isso estivesse sendo feito sob alguma sensação de obrigação. David não estava esperando que Pierre, de repente, pregasse seu amor por si de um dia para o outro, mas ele não ia ter o maior desperdiçando sua vida porque essa era ‘a coisa certa a ser feita’. Ele só queria Pierre ali, se Pierre também quisesse isso. David tinha escondido o bebê dele por tanto tempo, porque não queria arruinar a vida de Pierre ou da banda. Ele não conseguiria desfazer isso tão facilmente.
Então, eles tinham voltado para casa juntos pelos motivos certos.
Na maior parte do tempo, eles não tinham falado sobre o outro, sua atenção, ao invés, focada no bebê, o que David achava que estava bom. Eles tinham tempo para eles mais tarde, mas o bebê vinha primeiro. E ele estava certo de que eles estavam fazendo um bom trabalho, pelo menos até agora. Talvez David avaliasse as habilidades paternais deles novamente em alguns meses, quando o bebê tivesse nascido.
“Eu realmente não sei.” David disse, assustando Pierre, que se ergueu sobre seu antebraço. “O sexo, quero dizer.”
Pierre franziu o cenho, olhando entre o rosto de David e sua barriga. “Não foi isso que eu ouvi do Chuck, e Deus sabe que Chuck fica sabendo de tudo antes de mim.”
Dor passou por David e ele respondeu. “Chuck está tirando com a sua cara. Ele não sabe, porque eu não sei. Eu não quero saber. É mais fácil desse modo.”
“Bem, seria muito mais fácil falar para a minha família parar de comprar coisas rosas, ou coisas azuis. Você sabe o quão excitados eles estão com esse bebê. Eu acho que meus pais pensavam que eu nunca iria me acomodar e reproduzir. Eles estavam contando com Jay há um bom tempo.”
David revirou os olhos. “Se for um menino, o bebê ainda vai usar rosa. Não é um ponto a ser discutido.” Então, ele ficou calmo e disse. “Sobre nós, a parte de se acomodar, Pierre…”
“É esse o motivo de termos nos afastado, certo?” Pierre perguntou, se inclinando para frente para pressionar seus lábios contra a barriga de David. “Você estava se matando por dentro, mantendo esse segredo, tentando me proteger, e eu estava ficando bravo, tentando descobrir por que nós não estávamos mais próximos e por que nós não estávamos mais combinando, de repente.”
“Sim.” David assentiu e engoliu em seco.
“Então...” Pierre disse num tom cansado. “A pressão acabou. Eu acho… Eu acho que nós devíamos dar outra chance a nós, pelo be...”
“Se você falar pelo bebê...” David disse rapidamente, colocando sua revista de lado. “Então, eu vou decepcionar você, Pierre. Se nós, alguma vez, e eu quero dizer qualquer vez, dermos a nós outra chance, vai ser apenas por nós. Não importa o motivo, esse bebê vai ter dois amorosos pais, certo? Nós não precisamos estar em um relacionamento para dar a essa criança tudo o que ela precisar. Se nós decidirmos tentar e nos acertar de novo, tem que ser apenas por nossa causa, e não pelo bebê. O bebê não pode ser uma desculpa.”
Pierre ficou sobre seus joelhos, e disse rispidamente. “Você acha que eu não sei disso?”
“Você podia ter me enganado!”
Pierre se inclinou para frente e, pela primeira vez em quase meio ano, ele beijou David. Esse talvez foi o beijo mais gentil e cuidadoso que eles já compartilharam, exceto pelo primeiro de todos, e, se apoiando em uma mão, Pierre se inclinou para mais perto e emoldurou o rosto de David com sua mão livre. Quando o beijo terminou, muito singelo para palavras, Pierre perguntou. “Você não acha que sempre que existir um nós, sempre vai ter o bebê, também? Apenas porque eu quero que exista um nós pelo bebê, não quer dizer que é o único motivo.”
David suspirou. “Nós somos tão calor e frio, Pierre. Eu acho que, talvez, haveria mais estabilidade se nós não ficássemos juntos.”
“Você me ama?” Pierre perguntou, seu rosto tão próximo do de David, que seus narizes se tocavam.
“Pierre...”
“Ama?”
“Sim.” David admitiu, e foi tão fácil que era quase assustador.
Pierre o beijou novamente, dessa vez mais agressivamente, e ainda assim tão atento. “Então, nós devíamos nos dar outra chance.” Ele disse, murmurando contra os lábios de David. “Por que se você me ama, e eu te amo, então nada mais importa, certo?”
David assentiu, adicionando. “Exceto o bebê.”
Pierre riu. “Certo, exceto o bebê.”
Depois de vários beijos roubados, Pierre voltou para sua posição original, estirado sobre seu estômago, a cabeça próxima à barriga de David.
“Então, você realmente não sabe?” Pierre perguntou.
David se esparramou de lado, os dedos deslizando pela espiral da revista, que ele tinha posto de lado irritadamente. “Huh?” perguntou.
“O sexo.” Pierre explicou, ousando alcançar e pressionar protetoramente uma mão contra a barriga de David. “Você realmente não sabe se é menino ou menina?” os chutes e golpes bruscos sob a pele, não falharam em colocar um sorriso no rosto de Pierre. E não havia uma dúvida sequer de que seu bebê estava vivo, seguro e ainda crescendo.
“Nope.” David respondeu, facilmente encontrando a página na qual ele tinha parado. “E nem vou, também. Esse é um mistério com o qual você vai ter que viver.”
Um olhar azedo passou pelo rosto de Pierre. “E você jura que Chuck não sabe?”
“Você quebrou o nariz dele da última vez que ele soube algo sobre o bebê que você não sabia.” David disse inexpressivo. “Eu acho que ele aprendeu sua lição.”
Pierre encolheu os ombros. “Chuck tem uma aposta rolando, sabe.”
“Eu sei.” David respondeu distraidamente. “Não se preocupe, nós ganhamos uma porcentagem.”